Morreu
na última sexta (28), o ator e diretor Roberto Gómez Bolaños, o inesquecível
Chespirito. Famoso por suas obras na TV mexicana, como El Chapulín Colorado (Chapolin Colorado) e El Chavo del Ocho (Chaves),
Bolaños conquistou crianças e adultos de diversas gerações, da década de 1970
para cá. O sucesso foi tão grande, que os episódios de Chaves são reproduzidos
até hoje em mais de 20 países.
Chespirito (alusão ao escritor inglês William
Shakespeare) é referido pelos fãs como um gênio do humor. Essa alcunha se deve
à sua capacidade de criar histórias engraçadas utilizando situações cotidianas,
sem apelo para sexualidade ou qualquer tipo de sensacionalismo, que se apoia o
atual cenário de humor mundial. A inocência dos episódios, as situações cômicas
do dia-a-dia de pessoas comuns e a humildade dos personagens, principalmente o
próprio Chaves, ajudaram a constituir o caráter de muitas crianças que vem o
assistindo.
O legado que Bolaños deixa é muito maior que a de um
simples e competente ator e diretor. A herança cultural para o humor e a
influência positiva nas crianças, talvez sejam a maior vitória de um homem que
dedicou sua vida a fazer o que amava e consequentemente, conseguiu idolatria e
amor generalizados por todo o mundo. Os fãs de Chaves, ou simplesmente as
pessoas se sentiam entretidas com os episódios cômicos e educativos, consideram
o comportamento dos personagens e o formato da série de suma importância para o
desenvolvimento dos valores das crianças que o assistiam.
O
professor de história, Alvaro Lucas, considera que os episódios de Chaves tem
um alto teor filosófico: “Acho que em seus episódios existia bastante
filosofia, além de ser engraçado, é claro. Questões morais, humildade,
camaradagem, capacidade de vencer obstáculos, criatividade em enfrentar os mais
fortes. Uma paródia da sociedade”, explica. O professor acredita também que o
personagem de Roberto Bolaños dá esperança as crianças pobres, mostrando as
diversas formas de felicidade em gestos simples: “Ele dentro do barril é uma
forte representação de pobreza, mesmo assim, ele não se queixava muito”, afirma
Alvaro.
Já
o caminhoneiro Peter Theil, aponta a inocência e o carisma como principal
exemplo para as pessoas: “Era um humor sadio, sem palavrões. Ele mostrava o
cotidiano de um garoto de rua que era querido por todos”, comenta Peter. No
entanto, ele acredita que o seriado perdeu força de influência nas crianças
modernas: “O seriado ainda está no ar e essa molecada já não assiste tanto”.
Pontos
de vistas diferentes apontam para o mesmo sentido artístico: Chaves é uma obra
prima, tanto em seu contexto cultural, como moral. Roberto Gómez Bolaños
justifica a inspiração em William Shakespeare e Charlie Chaplin ao fazer um
trabalho inesquecível e imortal, capaz de mexer com as pessoas nos mais simples
detalhes. Aliás, são esses detalhes, simples e valiosos, que criam toda essa
atmosfera positiva de superação e humildade na vila mais amada do mundo.