domingo, 27 de julho de 2014

A ilusão de Enderson

       O mundo se encantou com o brilho e a elegância da seleção alemã nessa Copa do Mundo. A forma como os tetra campeões jogaram foi incrível. Tecnicamente qualificados. Taticamente perfeitos. Não me espantaria que alguma equipe se inspirasse nos alemães para chegar ao  sucesso.
     
       Inspiração essa que se torna uma obsessão e um sonho ao querer, a qualquer custo, que seu time se iguale à melhor seleção do mundo. E neste mundo de fantasia se encontra o treinador do Grêmio, Enderson Moreira.
     
       O técnico nem se esforçou para esconder a admiração pelo time de Joachim Löw, muito pelo contrário, fez questão de sublinha-la escalando o zagueiro Saimon na lateral esquerda. Como criticar o guri por errar um lançamento, se ele ainda tem nítidas dificuldades para passar a bola pro lado? Primeira aposta errônea do sonhador Moreira.
       
       Os fãs de futebol encheram os olhos de lágrimas de emoção ao verem Schweinsteiger e Toni Kroos marcarem como leões e iniciarem as tentativas ofensivas com a qualidade de um camisa 10 clássico. Enderson não deixou barato para Löw e fez o mesmo no tricolor com Ramiro e Riveros. Coitados dos nossos volantes de contenção, tendo que achar um futebol que nunca desenvolveram para agradar o fetiche inescrupuloso do treinador.
     
       Thomas Müller foi um dos apoiadores mais eficiente do mundial. Sobrou ao garoto Luan rezar e esperar que uma bola iluminada caísse em seus pés para que ele pudesse acionar o desesperado Barcos na esperança que o espírito do maior artilheiro de todas as Copas invadisse o corpo do argentino. Isso até aconteceu contra o Coritiba, mas é muito pouco para um time como o Grêmio.
     
        O único legado alemão que poderia servir de inspiração para Enderson - e todo o resto do planeta - foi ignorado pelo treinador. A marcação do Grêmio inexiste. E nem adianta pôr as culpas em Rhodolfo e Geromel que estão sempre sobrecarregados com dois ou três adversário diretamente. A descompactação do Grêmio também é defensiva e fica clara no espaço com que Alex tranquilamente jogou entre os volantes e os zagueiros.
       
       O Grêmio tem um grupo muito forte e um futebol medíocre, fruto de um péssimo trabalho da comissão técnica. Não acompanho os treinos do time, mas arrisco dizer que a marcação em bola parada nunca foi treinada, pela forma com que seis jogadores do Coritiba entraram livres e em posição legal no empate do Coxa. Esperar que Giuliano e Fernandinho acertem o time ao natural é loucura. O time do Grêmio precisa de trabalho e Enderson Moreira não tem capacidade.